Atualmente tenho sido cobrado por todos
os lados a respeito de soluções para Nota Fiscal Eletrônica (NF-e). Os
clientes precisam adequar seus sistemas, a empresa precisa fornecer solução
imediata, os leitores querem saber mais sobre o tema.
A NF-e é um documento emitido e
armazenado eletronicamente, com validade jurídica garantida por processo de
assinatura digital. O principal objetivo da implantação desta nova modalidade é
o acompanhamento em tempo real das operações comercias pelo Fisco e a
substituição do modelo atual de emissão de documentos fiscais em papel, de
forma a simplificar uma série de obrigações do contribuinte. Maiores
informações podem ser obtidas através do portal nacional em www.nfe.fazenda.gov.br
Neste artigo faremos um apanhado geral
dos inúmeros conceitos e tecnologias envolvidas no desenvolvimento e
implantação de soluções para NF-e, incluindo o processo de geração, assinatura
e transmissão de Notas Fiscais Eletrônicas. Ao final deste artigo o leitor terá
uma visão geral de como funciona o processo e será apresentado a alternativas
simples, eficazes e flexíveis para agilizar o processo de adequação do seu software
à nova legislação.
Descrição Simplificada do Processo
De maneira
simplificada o modelo operacional da NF-e pode ser assim descrito:
1. A
empresa emissora da NF-e gera um arquivo eletrônico contendo as informações
fiscais da operação comercial em questão.
a. O
arquivo eletrônico tem extensão .XML (Extensible Markup Language) e deve
ser gerado conforme padrão pré-estabelecido vigente.
b. Este
documento eletrônico contém informações equivalentes às informações contidas no
modelo atual de notas fiscais em papel.
2. O
documento da NF-e emitido deve ser assinado digitalmente, de maneira a garantir
a integridade dos dados, a autoria do emissor e a validade jurídica do
documento.
a. O
processo de assinatura digital deve ser feito utilizando-se certificado digital
tipo A1 ou A3 emitido por autoridade certificadora credenciada pela Infra-estrutura
de Chaves Públicas Brasileira – ICP-Brasil (www.icpbrasil.gov.br).
b. Neste
artigo foram utilizados certificados emitidos pela empresa CertSign (www.certisign.com.br), devidamente
credenciada no ICP-Brasil.
c. A
escolha do fornecedor do certificado abordado neste artigo se deu primeiramente
pela CertSign ser devidamente certificada no ICP-Brasil e também
pelo fato de ser uma das empresas líderes deste mercado e dispor de Autoridade
de Registro (AR) sediada em nossa cidade, Salvador – Ba. No entanto
sinta-se o leitor livre para escolher entre qualquer uma das empresas
disponíveis no mercado, todas elas dispõem de processos semelhantes aos
apresentados e toda a teoria mostrada no que tange a NF-e continua sendo válida.
3.
O arquivo deve então ser transmitido, via Internet, para a
Secretaria da Fazenda do Estado (SEFAZ) onde reside o contribuinte emissor.
4.
Após receber o arquivo, a SEFAZ realiza um processo de pré-validação
e devolve uma Autorização de Uso, permitindo com isso o trânsito da mercadoria
e a continuação da transação comercial.
5.
Para acompanhar o trânsito da mercadoria o sistema deve imprimir, em
papel comum, geralmente em única via, uma representação gráfica simplificada da
NF-e, chamada de DANFE (Documento Auxiliar da Nota Fiscal Eletrônica)
a.
O DANFE deve conter impressa uma chave de acesso que possibilita a
consulta da NF-e na internet, de forma que qualquer pessoa possa
confirmar as informações impressas com as informações contidas no site da
SEFAZ.
b.
O DANFE não é uma nota fiscal, nem a substitui, servindo apenas como
instrumento auxiliar para consulta da NF-e na internet.
Atualmente, conforme consta no FAQ
disponível no portal da NF-e, o protocolo ICMS 30/07 alterou o Protocolo ICMS
10/07 e estabeleceu a obrigatoriedade de utilização NF-e a partir de 1º de
abril de 2008, para os seguintes tipos de contribuintes que estejam localizados
nos Estados signatários deste protocolo:
·
fabricantes e distribuidores de cigarros
·
distribuidores, produtores, formuladores e importadores de
combustíveis líquidos, assim definidos e autorizados por órgão federal
competente;
·
transportadores e revendedores retalhistas – TRR - assim
definidos e autorizados por órgão federal competente.
Para os demais contribuintes, a
estratégia de implantação nacional é que estes, voluntariamente e gradualmente,
independente do porte, se interessem por emitir Nota Fiscal Eletrônica.
Certificados Digitais
Os certificados digitais são documentos
eletrônicos que identificam pessoas físicas ou jurídicas e através do uso de criptografia
asseguram a confiabilidade, privacidade, integridade, inviolabilidade e
autenticidade de informações de transações realizadas via Internet.
O processo de assinatura digital
utilizando certificados digitais nas operações via Internet tem validade
jurídica para ser utilizado como assinatura de próprio punho, comprovando que
seu proprietário concorda com o documento assinado.
Os tipos mais
comuns de certificados digitais são:
·
Certificados tipo A3 oferecem maior segurança, já que seu
certificado é gerado, armazenado e processado em cartão inteligente (SmartCard)
ou token (espécie de hardlock para conexão na porta USB), que permanece
assim inviolável e único. Apenas o detentor da senha de acesso, criada no
momento da validação, pode utilizar a chave privada. O certificado digital tipo
A3 possui validade de 3 anos.
·
Certificados tipo A1 são gerados e armazenados no computador
pessoal do usuário, não sendo necessário o uso de cartões inteligentes ou
tokens. Os dados podem ser protegidos por uma senha de acesso, criada pelo
usuário. Somente com esta senha é possível acessar, mover e copiar sua chave
privada. Por medida de segurança, recomenda-se que um único computador armazene
o par de chaves tipo A1 e apenas uma cópia de segurança seja criada. A validade
deste tipo de certificado é de 01(um) ano, contado a partir de sua data de
emissão.
A escolha do tipo de certificado a ser
utilizado no desenvolvimento da sua aplicação depende muito das suas
necessidades e possibilidades financeiras.
Os certificados tipo A1 são mais
baratos, no entanto são menos flexíveis, pois estão instalados em uma única
máquina, têm prazo de validade reduzido e são considerados menos seguros.
Os certificados tipo A3 do tipo SmartCard
têm um custo intermediário, mas num primeiro momento, dependem da aquisição de
um leitor de cartão que deve estar instalado na máquina onde o cartão será
utilizado. A vantagem, no entanto é que, após o prazo de 3 anos da compra do
primeiro cartão, não será necessário adquirir novo leitor de cartão, o que
torna o custo a longo prazo mais interessante.
Os certificados tipo A3 do tipo token
USB têm maior flexibilidade quando comparados aos outros formatos pois
depende apenas da disponibilidade de uma porta USB na máquina onde o mesmo será
utilizado, facilitando e muito o processo de desenvolvimento. O custo, no
entanto, é o mais elevado tendo em vista que o prazo de validade é o mesmo
quando comparado ao modelo SmartCard.
Acessando o site da CertSign no link
específico de certificados digitais para emissão de NF-e, temos acesso aos
seguintes custos, por tipo de certificado, conforme mostrado na Figura 01.

Figura 01:
Certificados para emissão de NF-e no site da CertSign
Para o desenvolvimento do projeto de
NF-e, optei pelo certificado tipo A3, modelo token USB, devido à sua
flexibilidade e praticidade, principalmente considerando o ambiente de
desenvolvimento do projeto realizado vários desenvolvedores diferentes e o
processo de atendimento na sede do cliente quando utilizamos notebooks.
Gerando uma NF-e para testes de assinatura
Os arquivos de Nota Fiscal Eletrônica são arquivos XML (eXtensible Markup
Language) gerados conforme padrão de layout definido em arquivos de
Schema disponibilizados pelo Governo como Pacotes de Liberação e
disponíveis para download no Portal Oficial da NFe em www.nfe.fazenda.gov.br.
Para fazer testes de geração, assinatura
e transmissão de uma NF-e, utilizamos o aplicativo disponibilizado no site http://www.igara.com.br/produto.php?cod_produto=114.
O aplicativo mostrado da Figura 02 é um demo desenvolvido em Delphi,
totalmente funcional que permite a geração de NF-e a partir de informações
digitadas pelo usuário em campos de texto que seguem o layout específico
vigente.
Após abrir o aplicativo, clicamos no
botão “Nova NF-e” e depois no botão “Salvar NF-e”. Por fim
selecionamos o diretório onde desejamos salvar o arquivo .XML gerado. O
aplicativo sugere um nome para o arquivo gerado e este nome não deve ser
alterado, pois segue padrão de nomenclatura específico exigido com base no
conteúdo da NF-e em questão.

Figura 02: Aplicativo
em Delphi para geração de NF-e
O arquivo gerado pode ser visualizado no
Internet Explorer ou em qualquer outro browser de internet
com suporte a XML, e o resultado é conforme mostrado na Figura 03.
Neste artigo não entraremos em detalhes
sobre o processo de geração da NF-e, pois este será o tema de outros artigos
que virão.

Figura 03: Arquivo
.xml de NF-e visualizado no Internet Explorer
Até o momento, o arquivo gerado não tem
valor jurídico, pois ainda não foi assinado de forma que o emissor possa
certificar a validade das informações fornecidas, bem como não há nada que
garanta que este documento não foi alterado por terceiros sem o conhecimento
prévio do emitente.
Para tanto, é preciso assinar este
documento. Na minha coluna online no site da Revista
ActiveDelphi você encontra um artigo que demonstra como utilizar o
aplicativo de assinatura de NF-e disponibilizado para download gratuito
no portal oficial da NF-e em www.nfe.fazenda.gov.br.
No entanto, neste artigo o objetivo é demonstrar como assinar digitalmente os
arquivos a partir da sua própria aplicação, e para isso utilizaremos a assinaturaNFe32dll.dll.