Gerência - Ciclo de Vida de Desenvolvimento
Da proposta técnica a entrega do pedido de compra – Como gerir Cronogramas
por Rafael Dicena Filho
Conceito
Sendo um fornecimento standart, cada venda no ambiente make to order pode ser considerada um projeto e como tal pode e deve ter suas atividades desdobradas numa linha de tempo, para averiguar se os eventos estão de acordo com requisitos pactuados no pedido de fornecimento (seja de bens tangíveis - produtos ou intangíveis - serviços). Mesmo estando ligada à gestão do Escopo do Projeto, a elaboração dos cronogramas está fortemente vinculada à Gestão do Tempo do Projeto, para aproveitar os conceitos emanados do PMI, segundo o qual são cinco processos necessários para assegurar que o fornecimento será concluído no prazo: Definição das Atividades, Seqüenciamento das Atividades, Desenvolvimento do Cronograma e Controle do Cronograma.
O cronograma pode ser elaborado com vários softwares os mais usuais são Project, Primavera, Visio e Excel.
Muitas vezes são solicitados ASAP os cronogramas de visão geral e os cronogramas ampliados (focando uma parte com riqueza de detalhes do tipo: data de dilingênciamento, inspeção, medição e validação)
1. Como começar?
O primeiro passo em direção à elaboração dos cronogramas deve ser a estrita observância sobre o formato (templates) e os dados solicitados pelo cliente. Causa uma péssima impressão atrasar o envio dos documentos e ainda por cima num formato que o cliente não tem suporte para abrir, se o cronograma atrasou, imagina o fornecimento então.
Partindo do pressuposto que o cliente deseja dar um zoom no evento de fabricação, contemplando a etapa de aprovação dos anteprojetos (engenharia) e a elaboração do try out, vejamos o que é necessário.
2. Definindo as Atividades
Lembre-se sempre do propósito do cronograma. Muitas vezes ele é solicitado para viabilizar eventos que estão sob controle do cliente tais como: aluguel de muncks, contratação de inspetores, compra de passagem aérea para eventos de diligenciamentos etc. daí a importância das atividades serem adequamente documentadas.
Respeite as premissas (aprovação de desenhos, eventos de pagamentos), observe as restrições (de capacidade, de impossibilidade técnica etc.) e, sobretudo apóie-se nos dados históricos (perfil do cliente, performance em fornecimentos similares, atendimento pleno das especificações), atenda exatamente a necessidade do cliente. Se for solicitado um cronograma simples, não entregue um modelo rebuscado com informações em profusão. Se for solicitado um cronograma complexo (do tipo físico financeiro) não fará o menor sentido entregar um modelo 1.0 básico.
3. Seqüenciando as atividades do cronograma
Estabeleça as ligações de precedência de maneira coerente, dependências mandatórias devem ser inseridas naquelas atividades em que a quebra do seqüenciamento torna o processo incongruente.
Por exemplo:
O vinculo entre a atividade de afrouxar os parafusos do pneu furado (1/4 torque), levantar o carro, concluir a soltura dos parafusos e soltar o pneu, deve ser do tipo TI (término início), estabelecer outro tipo de vinculo pode acarretar sérios acidentes.
Exemplo gráfico:
As dependências arbitrárias são aquelas baseadas na expertise da equipe
Por exemplo:
O start nos processos de compra de materiais que não dependem da aprovação do cliente pode iniciar junto com o envio dos croquis, ou seja, um vínculo do tipo II (início início).
Exemplo gráfico:
As dependências externas são aquelas que existem interfaces entre as atividades internas (do projeto) e externas
Por exemplo:
A liberação de fabricação deve ser dada após a aprovação ou aceite pelo cliente, ou seja, um vínculo IT (início término).
Exemplo gráfico:
4. Estimando a Duração das Tarefas
A duração das atividades está relacionada diretamente a qualidade dos recursos a ela agregada, sim você deve estar se perguntando, será que não seria a quantidade? A resposta é não. Pois tem tarefas em que:
A duração é fixa: independente da quantidade de recursos a duração se manterá inalterada.
Exemplo: Ensaios de fadiga, elevação de temperatura, tratamento térmico, etc.
A quantidade de recurso só faz diferença quando:
O trabalho é fixo: agregando recursos, a duração pode ser reduzida, mas a carga de trabalho se mantém inalterada.
Exemplo: Um operador faz um painel em dois dias, dois operadores fazem um painel em um dia. Num turno de 8 horas, o painel continua demandando 16 horas de montagem, contudo é possível concluí-la num mesmo dia, distribuindo o trabalho meio a meio para os operadores.
O tipo padrão é de Unidades Fixas, onde as tarefas apresentam um aspecto fixo (os recursos, por exemplo) que não será afetado pela variação dos outros parâmetros (Duração do Trabalho ou da Tarefa).
A duração das tarefas é afetada diretamente pelo calendário. A semana do cronograma terá cinco ou sete dias? Qual o coeficiente de produtividade? O que dizem os dados históricos?
5. Desenvolvimento do Cronograma
Dizem quando começa e quando deve terminar cada atividade e quais recursos estarão dedicados a ela é a principal demanda do desenvolvimento do cronograma.
Nesta tarefa não incomum imputarmos um fator de segurança ou um coeficiente probabilístico que minimize a incerteza (é a famosa "gordura pra queimar na execução").
No mundo coorporativo é comum a área de planejamento ou a área de métodos e processos fornecer as premissas de base para as estimativas.
6. Controle do Cronograma
Geralmente o controle de cronogramas são realizados por meio de relatórios de RMA´s (relatórios mensais de atividades), SP (Status progress) entre outros relatórios de performance. A principal entrada da etapa de controle é o relato de desempenho, ou seja, qual é a situação desenhada nos gráficos previsto versus realizado? Qual a distancia entre eles? Que mudanças se fazem necessárias para ambos convergirem? Estes dados são obtidos nas reuniões do time do fornecimento, nas reuniões de nivelamento de atividades e também na análise do resultado do trabalho.
7. Controle das revisões
Caso o escopo inicial seja alterado, é salutar que o cronograma seja revisto. Mesmo que esta alteração não signifique mudanças significativas nos prazos acordados, adequar o cronograma a nova realidade é etapa crucial na validação da documentação. Não adianta depois que o tempo de espera (elapsed time) devido a uma nova solicitação se transformar em atraso real levantar a bandeira que não irá atender a data combinada. Por isso mudou a regra, mudou o jogo! Outra variável que exige revisão nos cronogramas é o atraso sistemático na conclusão das tarefas, se ele não for do tipo em cascata, no qual um atraso pontual pertuba todo o resto do projeto, significa que o tempo destinado para a execução das atividades foi subestimado e deve ser revisto para o fornecimento não perder a credibilidade.
8. Modelos Prontos no Office
As aplicações Project, Visio e Excel dispõem de modelos prontos para cronogramas, se esta opção não estiver disponível basta acessar o Microsoft on line, para abri-las faça:
No Project
Arquivos\Novo\Meus Modelos*
*se o modelo for completo demais, exclua as atividades que achar irrelevantes, na seqüência salve como um novo modelo
No Excel
Arquivo\Novo\Microsoft on line\Planejadores
No Visio
Arquivo\Novo\Cronograma
Escolha o modelo, se optar pelo gráfico de Gantt, na realidade iremos inserir o OLE do Project, o caminho inverso também é possível.
Referência: Gestão de Processos de Fabricação com MS Project, artigo de autoria própia aceito e publicado no FCEP - Fórum Capixaba de Engenharia de Produção, 2008 Vitória - ES.
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